bad temper

Caiu na rede, é pop

Posted in Uncategorized by Sofia on Março 31, 2010

fulano é de poucos amigos. já @fulano faz questão dos muitos seguidores.
sicrano escutou algumas vezes que não tem o perfil. mas o perfil de sicrano é o mais comentado da rede.
ninguém olha pra beltrano no trabalho. mas beltrano é lido 7.000 vezes por dia.
ciclana passa o dia sozinha. mas ciclaninha87<:) tem sempre um monte de recados esperando por ela.
deltrana é meio por fora da moda. mas #deltrana é muito tendência.

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Nanoconto de terror

Posted in Uncategorized by Sofia on Janeiro 18, 2010

– Rápido, segure a minha cabeça!

36ºC

Posted in Uncategorized by Sofia on Janeiro 12, 2010

Os afeitos a clichês diriam que faz um calor senegalês. Os de literatura, que se sentem em um romance de García Márquez. Os mais pecadores pensariam que chegaram ao inferno sem chance de se redimir. Os apreciadores de funk afirmariam que o calor tá de matá. Os das antigas cantariam alalaô. E eu, em coro, agradeceria: obrigada, Willis Carrier.

Ah, o natal.

Posted in Uncategorized by Sofia on Dezembro 22, 2009

manhã de chuva. decidiu-se: aquele era o dia. todo mundo pulou da cama e se posicionou, usando pijamas e bocejos. depois de alguns minutos, as caixas começaram a chegar na sala. todas resgatadas do fundo de um armário que fica no fundo da casa. lá elas tinham permanecido, fechadas, silenciosas e resignadas, durante onze meses. abertas uma por uma, foram mostrando o trabalho que a família tinha pela frente: posicionar, pendurar, montar. A caixa maior tinha também a maior atração: a árvore. Ainda não-árvore, só um amontoado de galhos dobrados e encaixáveis. Em duas horas, penduricalhos tomaram o seu lugar, velas encaixavam-se nos candelabros específicos, presépios e enfeites diversos espalharam-se sobre as superfícies planas da casa. E toda a família, de olhos fechados, já sentia aquele típico cheiro de natal que os atormentava até janeiro: mofo.

Clichê astrológico – no caso, eu.

Posted in Uncategorized by Sofia on Abril 20, 2009

Fiz um mapa astral on-line.
E, como se passar esse ridículo não fosse suficiente, tenho que me rebaixar ainda mais: 90% dele estava certo.
Ou seja, sem nem saber meu nome, uma entidade digital demonstrou me conhecer razoavelmente bem, baseando-se unicamente no dia e hora do meu nascimento mais meu sexo. É bom ressaltar que o mapa não me ganhou pelas generalidades: ao contrário, acertou coisas bem específicas. Para o meu horror.

Final de semana passado, ganhei uma sessão de reflexologia. Fui desavisada, sem nem saber do que se tratava. Enquanto meus pés relaxavam em uma banheirinha de água morna e sais, o moço se aproveitou da minha guarda baixa e perguntou o dia em que nasci. Pronto. Tranquilamente, ele fez uma longa e acurada dissertação sobre minha personalidade. Explicou desde a minha rinite até as sardas do meu rosto.

E eu, dessa vez bem contrariada, fui obrigada a constatar: sou o estereótipo da astrologia. Pode ser o horóscopo tradicional, o chinês, o javanês. Se quiser saber tudo sobre mim, anota aí: 29 de julho de 1985.

Put the blame on them, boy.

Posted in Uncategorized by Sofia on Abril 8, 2009

Freud tinha a seguinte teoria sobre as mães: a culpa é delas. Sociopatas, narcisistas, melancólicos e mal amados esticam-se horas no divã para chegar a essa verdade psicanaliticamente incontestável. Foi ela. Foi ela e não tem discussão.

E, aparentemente, o tapa austríaco na cara das mães não é tudo. Segundo este documentário, o alimento do alto da cadeia alimentar mais tóxico que existe é, tchanã!, o leite materno. “Os menores membros de nossa sociedade recebem a sua dose mais alta de tóxicos quando estão no colo de sua mãe, vivendo o que deveria ser um ato de amor”.

Ou seja, o movimento parece ser este: mal a criança sai da barriga, já pode começar a jogar na cara.

Baixaria

Posted in Uncategorized by Sofia on Janeiro 19, 2009

Duas palavras são suficientes para atiçar minha felicidade.
Duas, só duas, já deixam o meu dia mais azul e fresco.
Um parzinho que me traz muitas perspectivas e sentimentos bons: download concluído.

Nada como Dex e Yang para deixar tudo melhor.

caso clínico

Posted in Uncategorized by Sofia on Dezembro 5, 2008

Ele tinha as panturrilhas infladas. Enormes, mesmo, como se sopradas por alguém sem graça. E não sabia porque.
Via suas fotos de bebê cuidadosamente, delicadamente, não encontrava nada incomum. As pernas eram gordinhas e muito mastigáveis, sem nenhum crescimento ou sinal indevido.
Nunca fez exercícios demais ou de menos. Não sofrera queda ou lesão grave. Não praticava esportes brutos, não levou pontapés. Seus genes eram perfeitos até onde podiam ser. Os pais, avós, primos, tios, concunhados – todos proporcionais.
Supunha que, um dia, acordara assim.
E então começou a acostumar-se com a curiosidade e as piadas repetidas, que sempre acreditavam ter sido inventadas na hora:
– Nossa, você adubou a batata da perna?!
Aprendeu a sorrir amarelo várias vezes ao dia.
É claro, procurou os médicos, de todos os tipos e sabores. Não havia explicação. Suas panturrilhas infladas eram sem precedentes, caso de congresso, de publicação.
Por fim, sua última consulta o fez desistir de saber. Chegou já meio cansado e entregou a resma de exames ao doutor. Ele olhou, re-olhou, transolhou e, como haveria de ser, não encontrou nada. Perguntou a ele se, nesses quatro dias, alguma coisa tinha mudado. Pela perdi-a-conta-ésima vez, ele respondeu que não, que elas continuavam como se estivessem cheias de ar.
O médico, então, num lampejo bem-intencionado, deu a solução definitiva:
– Já tentou acupuntura?

quer ser minha amiga?

Posted in Uncategorized by Sofia on Dezembro 5, 2008

De uma anônima, na rua:
– É que eu sempre não fui normal.

sua graça

Posted in Uncategorized by Sofia on Dezembro 5, 2008

Estou lendo meu primeiro Guimarães Rosa. “Primeiras Estórias”, para ser bem coerente.
Quem sou eu pra dizer alguma coisa senão isso: tudo é lindo, tudinho.
E os nomes. Deus, os nomes. Meio estranhos no começo, inteiro estranhos no final, supreendentes, perfeitos. Mula-Marmela e o cego Retrupé, Dr. Dartanhã, Maria Exita, Seo Fifino, Damázio, Brejeirinha e o meu preferido: José Satisfeito.

Rosa teve duas filhas.
Seus nomes são Vilma e Agnes.
Não sei se fiquei aliviada ou decepcionada.